quarta-feira, 16 de maio de 2018

Quem ganhou e quem perdeu

Sei quem ganhou.
Com esta avalanche de más notícias no Sporting. O Benfica. liberta-se, nem que seja por momentos, do verdadeiro pesadelo de suspeições que pesam há mais de um ano sobre ele. Vê o fracasso do penta varrido para debaixo do tapete e pode gozar o prato com a suposta corrupção de um rival.
É aliás muito engraçado que as "provas" e os "arrependimentos" tenham sido descobertas pelo CM, quando Boaventura, o Mr.Malas benfiquista já as andava a partilhar nas redes sociais há semanas.
A ver vamos se existe corrupção, desejavelmente com os formalmente acusados, auto-suspensos de funções.
Se forem culpados que sejam julgados e condenados e expulsos de sócio.
Obviamente que a Direção vai estar sobre suspeita e agravar a já parca autoridade que resulta das agressões na Academia de ontem há tarde. A probabilidade da vaga mediática pressionar o universo leonino até este depor os Orgãos Sociais é altíssima e embora queiramos todos correr com todo este ambiente de modo a restituir normalidade ao clube, existem procedimentos e big pictures a respeitar.
O Sporting não vai atravessar tempos fáceis e isso será sempre um quadro que favorece os nossos rivais. Ainda assim, que isso nunca nos demita de olhar primeiro para o nosso clube e resolver o que há para resolver. Ao contrário de outros adeptos de outros clubes, sei que nós não esconderemos a cabeça na areia e faremos o que terá de ser feito para garantir o melhor para o Sporting e não o melhor para um dirigente ou uma SAD.
Mas também sei quem perdeu.
Essa é fácil. Os sócios e adeptos. A esses ficará sempre a missão de pegar nos cacos, pagar as crises, encontrar forças para continuar a comprar gameboxes, pagar cotas, cachecóis, camisas e bater palmas na ilusão que "aqueles" que nos representam dão um chavo pelo que amamos, que aqueles que nos lideram têm mesmo o respeito pelo que acreditamos ser melhor para o Sporting.
Num par de meses podemos ficar sem Direcção, sem Equipa e repletos de "Mãos Sujas" a aguardar julgamento. É uma derrota total e inexplicável. Uma derrota nossa.
Não nos matará, sobreviveremos, regressaremos ao que sempre fomos, mas não tenhamos ilusões, o caminho vai ser árduo e repleto de escolhas difíceis.
Cá estaremos, não mudaremos de clube nem rejeitaremos as lutas, mas não consigo deixar de pensar que não merecemos nada do que nos está a acontecer. 

SL

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Atitude em tempos de cólera

Incompreensível é a única palavra que me ocorre para classificar o que aconteceu ontem ao final da tarde nos Barreiros. Quando todos esperávamos um Sporting lutador, dominador e dono da sua própria sorte, surge-nos uma equipa desgarrada, nervosa, sem poder físico para acelerar o jogo ou recuperar posicionamentos quando perdia a bola. Os jogadores (aqueles que foram capazes) tentaram, correram (muito menos que o exigível) mas ficou óbvio desde o primeiro minuto que estavam sobre um manto de insegurança que os reduzia a sombras dos jogadores que são. E se as individualidades falharam, ainda falhou mais o coletivo. Nada. Estavam todos entregues à sua sorte, quer em momentos de ataque, onde eram abandonados e sem linhas de passe, quer defensivamente onde faltaram vezes sem conta dobras feitas a tempo e horas. 

O Marítimo só não provocou mais mossa, porque a tática de permanecer fechados lá atrás e soltar contra-ataques só quando o Sporting subia as linhas, predominou na cabeça dos jogadores insulares. Até aí foram superiores, já que tinham uma estratégia e cumpriram-na até ao último segundo. O jogo foi um verdadeiro pesadelo, de fio a pavio, um discorrer dos minutos em agonia, sem que um jogador sequer sentisse que era preciso chamar um colega, dialogar com ele, convocar o melhor que têm, nada. Como equipa, o Sporting foi uma verdadeira manta de retalhos, refletindo todos os equívocos que a atacaram durante toda a época. Nem vou individualizar, pois não me parece que seja justo não distribuir aquela tragédia por todos eles. Efetivamente merecemos ficar fora da Champions (o que é bem diferente de dizer que o Benfica a tenha merecido mais do que nós) porque quem joga da forma como nós jogamos ontem não merece qualquer prémio. 

De quem é a culpa? A eterna questão. Sinceramente? De todos. Começando pelo Presidente que fez despontar uma polémica que podia e devia ter surgido apenas depois da final da Taça, passando pelo treinador que lhe deu continuidade e claramente perdeu a capacidade de motivar os jogadores a cumprir objetivos e culminando nos jogadores que não se revelaram à altura dos momentos de decisão, sendo corajosos para desafiar as hierarquias internas, mas completamente medrosos na hora de ganhar ao Benfica em casa ou fora na Madeira. Muito honestamente e mesmo que ganhemos a Taça de Portugal, a combinação de JJ com estes jogadores cessou ontem a sua validade. Todos o sabem, do Presidente ao adepto mais optimista, JJ não permanecerá no Sporting na próxima época. 8 milhões? É o preço do insucesso, paguemo-lo e sigamos caminho. Não desejo justas causas e arrasos de polémicas em TAD’s e afins. Paguem ao homem, que deu o seu melhor, e que vá para onde quiser. Porto, Benfica, dá-me igual.

Quantos aos jogadores, que fiquem os melhores, que saiam os piores. Que se vendam os que forem bem vendidos, que permaneçam os que não tiverem boas ofertas. Não há saldos e por mais que R.Patrício e William tenham desiludido pela inabilidade em capitanear o plantel, são óptimos jogadores, titulares da Selecção e bons quadros para se ter em qualquer plantel do futebol mundial. A nossa SAD tem de ter a inteligência de recrutar treinadores e gestores de equipa que além de retirarem o melhor dos jogadores em campo, também o façam fora do rectângulo de jogo. Querer sair todos querem (e alguns sempre se irão exceder perante a intransigência em negá-lo) é algo que quem governa o Sporting terá de aprender a lidar.

Espero sinceramente que esta seja uma semana de grande reflexão e muita reserva em Alvalade. Não quero ouvir ninguém a dizer o que quer que seja até ao apito final da Taça de Portugal. Ninguém merece ter a palavra. Exige-se uma vitória no Jamor e não guerras de palavras, desculpas, ameaças veladas ou juras de amor ao emblema. Criem é condições para se ganhar um troféu e peço encarecidamente que guardem o rol de queixumes para depois desse momento. Calem-se e joguem à bola e deixem-nos aziar durante a semana, pelos menos sem ter de assistir a mais episódios deprimentes dos que a imprensa já vai explorar até Domingo.


Quantos aos adeptos, para nós fica o trabalho de fazer do fel, mel. Conseguir reunir o fervor, a fé na vitória, ultrapassar a desilusão e a descrença arrasadoras que nos embrulharam ontem. Se há algum adepto capaz de, neste momento e perante a autêntica convulsão de incertezas que lavra o clube, arranjar forças para apoiar a equipa…é o adepto leonino. Não deixa de ser um desafio, não será fácil, mas que sejamos o pilar mais forte (mais uma vez) e o exemplo da verdadeira grandeza do Sporting Clube de Portugal. 

SL

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Avaliação Final

Tal como havia feito a meio da temporada, e embora faltem 2 jogos decisivos para o final, faço aqui uma pequena revisão do que foi o comportamento e aproveitamento dos jogadores do nosso plantel. 

A razão porque o faço, precisamente antes das partidas mais decisivas para o tirocínio da época é muito simples: não quero misturar possíveis euforias ou depressões resultantes de resultados melhores ou piores na avaliação da temporada de cada elemento. 
Com mais de 55 jogos, há matéria mais que suficiente para concretizar uma opinião:

Guarda-Redes - Patrício dispensa notas ou avaliações. Está no seu “prime” e na minha opinião a sair traduzirá sempre um encaixe na medida do seu valor desportivo. Sejam quais forem as discordâncias, não poderá ser em caso algum matéria de saldos. E mesmo que acabe por ser transferido, haverá seguramente verba para contratar um novo valor, que nos deixe seguros quanto ao talento que residirá na baliza. Salin, para além do seu papel de adjunto dos adjuntos no banco, pouco acrescentou, não sendo opção até nas Taças. Não é fácil estar atrás de Patrício e Salin optou e bem por ser útil no banco, uma vez que raramente saiu dele.

Defesas laterais - Coentrão surpreendeu pela quantidade de jogos e em algumas alturas da época até pelo nível exibicional. Acrescentou algo à equipa e a experiência / garra que pôs em campo ficarão sempre bem registadas na nossa memória. Porém, a vida de uma SAD como a nossa e a de um jogador que mantém um ordenado elevadíssimo no Real Madrid não se comove com sentimentalismos. Coentrão consegue fazer uma época digna desse nome e o Sporting conseguiu ter um lateral esquerdo de um nível superior. Ambas as partes conseguiram o que queriam. Cada um seguirá o seu caminho. Sinceramente e não me importando nada que ficasse caso baixasse (e muito) o seu vencimento, fico na expectativa de que neste Verão a nossa SAD e o nosso scouting encontrem finalmente um jogador à medida das nossas ambições. Nem Jefferson, nem Jonathan, nem Lumor estão ainda a esse nível. 

Por oposição (literalmente), na outra lateral a vida segue cheia de promessas…e das boas. Piccini e Ristovsky não podiam ser mais diferentes, mas cada um no seu estilo (Risto mais impetuoso, agressivo e atacante, Piccini mais contido, precavido e discreto) dão garantias de o lugar não ficar mal ocupado ao longo da próxima época. Fala-se no interesse de alguns clubes no italiano, mas confesso ter dificuldade em encontrar mais do que apenas alguns clubes a tentar pechinchas junto do Sporting. A verdade é que muito dificilmente existirá algum clube que pague pelo “Senhor 3 Milhões” uma verba que achemos irrecusável.

Defesas centrais - A próxima janela de mercado promete revolucionar este sector do plantel. E na minha opinião devemos ter tanto calma, como entendimento que precisamos de subir o nível destas posições. Coates e Mathieu foram os titulares e apesar de terem cumprido, fica a sensação que precisamos de mais. A verdade é que o uruguaio não evoluiu o nível médio das suas exibições e o francês apesar de ter estado mais apto fisicamente do que seria de esperar, suscita muitas reservas no que será mais um uso intensivo na próxima temporada. Depois de ver partir Tobias, a vaga de 4º central ficou por ocupar e o recurso a Petrovic só fará sentido se o sérvio não for transferido, algo que imagino será tentado durante as próximas semanas. 

André Pinto não esteve muito distante das previsões, mas também aqui, lesões sucessivas podem levar o Sporting a cogitar uma venda. A entrada de Marcelo do Rio Ave e Domingos Duarte terão de encontrar espaço no plantel e imagino que perante o que já escrevi, o quadro torna-se mais claro. Sobra Douglas, que esperará a SAD e todos nós, consiga seguir o seu caminho, longe de Alvalade se possível. Fala-se no interesse de alguns clubes italianos por Seba. É aqui que acho que devemos ter alguma calma. Sim, a verba de uma transferência do uruguaio pode dar luz verde a uma nova contratação, mas o risco de esse novo “patrão” não ser bem sucedido deve recomendar alguma ponderação.

Médios defensivos - Se formos cruelmente honestos, William é um excelente jogador para essa posição e não devemos nunca desdenhar num 6 titular da Selecção Portuguesa. Tanto quanto entender que o seu valor desportivo, exibicional e até de mercado…estagnou. A venda do seu passe seria apenas uma boa medida financeira se não fosse já garantido que também o jogador deseja esse cenário. Sendo assim, a transferência torna-se desportivamente e financeiramente a melhor via a seguir. 

Battaglia parece preparado para render William, tanto como preparado para jogar a 7 como o fez na maior parte desta temporada. A sua venda, salvo uma proposta irrecusável e atendendo ao que escrevi sobre William Carvalho, seria sempre um ponto a desfavor na continuidade e estabilidade do plantel. Ainda assim, será preciso um back-up na posição que só será dispensável caso ambos os nomes anteriores fiquem no plantel. Back up que não se chama Petrovic de certeza absoluta. O sérvio mostrou aliás mais assertividade como central, do que como 6, onde passa completamente ao lado das necessidades atacantes da equipa. Palhinha está num limbo, onde não evolui e adivinho eu, regride a cada mês de competição que passa. 

Médios de construção - Wendel, Battaglia, Misic, Bruno Cesar, Bruno Fernandes, Bryan Ruiz…são todos jogadores capazes de fazer mais do que uma posição e em grande medida, nenhum foi um Adrien, o que faria falta. Bryan deverá estar de saída e Bruno Cesar apesar de ser um verdadeiro “utilitário” táctico, perdeu grande parte da época. Caso chegue à SAD alguma proposta decente pelo brasileiro, não tenho dúvidas que sairá. Wendel é a grande incógnita. Contratado (disseram) para estar apto na próxima época a voos maiores, a verdade é que o estatuto que trazia do Brasileirão não condiz minimamente com a lógica de “geladeira” a que foi votado desde Janeiro. Se não for parte importante na manobra do meio-campo de 18/19, não sei efetivamente para o que fomos comprar (não foi barato!). Sobra Misic, que parece prometer mais ser um “novo B.César” a tapar buracos no meio-campo do que material para assegurar titularidade. Haverá Geraldes nestas contas? Eu gostava. 

Bruno Fernandes foi bastante usado nesta função, mas acho que na próxima época devíamos olhar para este jogador doutra forma, dando-lhe o foco de ocupar missões e posições mais dianteiras, onde dá, claramente, muito mais à equipa. Golos e assistências tendem a manter-se como mais decisivas que critério de passe e disponibilidade física.

Médios ala - Gelson Martins, Ruben Ribeiro, Acuna, Bryan Ruiz, B.Cesar e Podence ocuparam ao longo da temporada estas posições. Os titulares Gelson e Acuna dever-se-ão manter no plantel. Talvez o Mundial mude alguma coisa, mas o valor que a SAD imputará a uma transferência destes jogadores será suficiente para que se mantenham mais um ano de verde e branco. Não é seguro, mas é expectável. A falta de alternativas a ambos nesta época foi um low point na gestão do plantel, o que deverá ser corrigido na próxima. Ruben Ribeiro, ficou aquém do esperado e na fase da sua carreira, mediante propostas tentadoras, deverá ser libertado, podendo canalizar essa verba para a contratação de outro jogador. 

Certo parece ser mesmo a entrada de Raphinha. Isso é uma excelente notícia, que melhora se dermos crédito às notícias que dão como eminente a aposta no regresso de Matheus Pereira. O quadro ficará fechado? Not so fast…tenho relativas certezas que a SAD procura há muito um ala mais repentista e que à imagem de Gélson dê drible e velocidade no corredor. Essas características podem estar parcialmente quer em Raphinha, quer em Podence, mas eu arrisco desde já que irá ser procurado um jogador que reúna todas elas, preparando a saída previsível de Gélson no futuro.

Ponta de lança - Dost é um dado seguro, mas faltará quem o substitua. Nem Montero, nem Doumbia, nem Leão conseguem “calçar os sapatos” do holandês e isso tem de deixar de ser uma fonte de ansiedade na gestão do plantel. Sempre que Bas não está, o 11 perde coerência e referências o que recomenda vivamente que seja encontrado um sósia que pelo menos interprete bem esse papel quando o titular não está. Spalvis já foi e Castagnos não teve uma época feliz, há Ronaldo Tavares na equipa B…mas não sei…na verdade nenhum me parece ser o ideal, apesar de ser preferível ter um deles a não ter algum. Doumbia tem escrito venda por todo o lado e parece-me inteligente recuperar o dinheiro investido. 

Segundo avançado - Montero superou amplamente a minhas expectativas. Cumpriu, parece ainda com muito futebol nas pernas e nada conformado com a suplência. Mas é preciso mais. E esse mais talvez ainda seja cedo para ser Rafael Leão. Talento tem sem dúvida, mas convém não apressar responsabilidades. Vejo com muito bons olhos a entrada de um novo jogador que tenha rodagem e talento…imediatos. 

Concordam? Discordam? Deixem as vossas opiniões.

SL

quinta-feira, 12 de abril de 2018

E nós?


Desde o dia 23 de Março de 2013 que arrancou um relógio. E com ele um countdown. Esse relógio só irá parar no dia em que Bruno de Carvalho cessar a sua presidência. 

Quem carregou no timer e fez andar os números foram um conjunto bastante diverso de sócios, com um conjunto bastante diverso de razões, com um conjunto bastante diversificado de tentáculos na nossa sociedade de país pequeno, conservador e habituado a permanecer nas réstias de um poder neo-feudal onde os grandes e poderosos se eternizam nesse estatuto, não porque são mais inteligentes, empreendedores, corajosos ou inovadores que os demais, mas porque se amarraram, qual jibóia, à torneira política e financeira do Estado da nossa República.

Desde a infância que estes neo-fidalgos ouvem dizer aos pais que estão destinados a grandes carreiras estudantis, a grandes cargos nas Associações de Estudantes, a grandes Cursos nas grandes Faculdades, a belas cunhas em Sociedades de Advogados, Empresas Estatais ou figuras de proa nas Juventudes Partidárias. Não há que temer nada na vida, não que lutar arduamente por nada na vida. Há apenas que ter…classe e elegância. Seja em que situação for. Vestir marcas que “pareçam bem”. Ter conversas de “bom tom”. Frequentar restaurantes e hotéis onde se “está bem”. Passar férias onde se “aparece bem”. Escolher profissões com “bom estatuto”. Escolher amigos de “boas famílias”. Tudo tem de ser e parecer “bem”.

O Sporting foi isto durante quase toda a sua existência. 

Mas eis que surge um agente perturbador. Não na sua forma, mas no seu conteúdo. Bruno de Carvalho nasceu numa família “com nome”, com familiares ilustres, estudou numa excelente faculdade e provavelmente tem muitos amigos “bem na vida”. Provavelmente sempre vestiu “boas marcas”. Provavelmente nunca temeu pelo pão e janta do dia seguinte. Provavelmente nunca temeu por ver um dos pais desempregado. Provavelmente nunca ficou sem prenda, porque naquele mês a coisa não correu bem. Na forma e na origem Bruno de Carvalho deveria ido trabalhar para a empresa do pai de um amigo, para um instituto de um colega de curso do tio ou uma repartição estatal onde seria acarinhado por um director amigo de um primo. Bruno de Carvalho podia ter escutado todas as promessas da sua infância. Mas sonhou ser Presidente do Sporting Clube de Portugal e esse não foi o problema.

O problema foi que quis ser Presidente de um Sporting que ganhasse.

Voltemos aos relógios em countdown. A comunidade de neo-fidalgos, que fez do Sporting o seu Kruger Park, local onde podia visitar a plebe e divertir-se com ela, onde podia “brincar aos pobres” e às paixões dos pobres. Esses que sempre viram e desenharam um clube à medida do seu “bem estar”, um emblema que na lapela “ficasse bem”, de “bom tom”, escutaram com muita atenção as bases da candidatura de Bruno de Carvalho em 2011, provavelmente aliciaram-no com um pseudo cargo, provavelmente tentaram-no com migalhas para que não sonhasse tão alto. Bruno não podia ser presidente. Bruno era só “o Bruno”. Não tinha dinheiro, não tinha amigos com dinheiro, não tinha amigos em posições de destaque nos partidos, não tinha influência nem idade para ser influente. Não tinha, acima de tudo, compromisso com os “tios” que governavam o Sporting. 

Não tendo, como diz o povo, “rabo preso” por nada nem ninguém, Bruno era um sinal vermelho, um alarme, pânico. Nada garantia que “o Bruno” iria abafar, esconder, comer e calar toda herança que qualquer presidente do Sporting teria nesse ano de 2013. E que herança. Toneladas e toneladas de merda. Merda de negócios, merda de esquemas, merda de conivências e ocorrências absolutamente estúpidas e ruinosas. O que “o Bruno” recebeu dos “tios bem” como herança foi, antes de mais nada, um clube gigante gerido como um tasco, uma taberna, uma coletividade de aldeia. Más contas, maus contratos, maus hábitos, má cultura e sobretudo más equipas. Os campeões do “bem” tinham feito tudo “mal”. Sobretudo porque não levaram nunca a sério o Clube, não se dedicaram minimamente ao seu sucesso e crescimento. O Sporting era um brinquedo enorme tratado com a mesma estima de um animal de estimação que dava demasiadas dores de cabeça.

O segundo em que os relógios começaram a contar foi no preciso momento em que o “rapaz”, o “garoto”, “o Bruno” rejeitou servir de mopa dos “tios” e tentar encontrar o seu sonho por entre as toneladas de disparates que era o Sporting. Nesse segundo Bruno de Carvalho quebrou a promessa mais sagrada que um neo-fidalgo escuta desde a infância. 
Os “tios” do Sporting temeram pelos dias seguintes. Algo que provavelmente nunca tinham sentido antes. Temeram pelo seu “bom nome”, temeram pela merda que fizeram, temeram que um Bruno qualquer fizesse o que nunca haviam gasto uma gota de suor para fazer, tornar o Sporting grande, outra vez. E isso foi e ainda é imperdoável. 

Bruno não pode ter sucesso. Bruno terá toda a influência que se puder juntar entre “os tios” para que não tenha sucesso. Bruno não pode jamais conseguir unir a plebe e esfregar na cara dos “nobres” a sua própria decadência. Isso seria a negação dos seus dogmas. Eles são os mais ricos, os que ganham, os que nunca vão presos, os que nunca ficam desempregados, os que jamais temerão ser humilhados e nunca, mas nunca, por quem não tem “a classe” que eles têm.
Hoje, os relógios de todos eles parecem marcar o principio do fim. Hoje saem dos exílios da vergonha e usam do palco e da influência que sempre tiveram. Hoje afiam as facas de marca e vestem o luto do defunto que prometeram fazer. Hoje preparam-se para colocar os seus universos na ordem que sempre teve. 

E nós?

SL

Nota: este texto não pretende passar ao lado de todos os erros cometidos por BdC (foram muitos), não pretender esconder que o Presidente do Sporting está obrigado a uma mudança de actuação, não pretende ignorar que o Sporting tem de ser gerido doutra forma, mantendo a paixão, mas acautelando uma estratégia universal em que cada um sabe o que tem e deve fazer. Consertação, ponderação, foco, objectivo. Mas…não consigo pactuar calado com a “vendetta” que está a ser levada a cabo, por muitos quadrantes da sociedade, organizados e alinhados, à margem do clube, distantes do interesse do clube.

terça-feira, 10 de abril de 2018

O momento

No momento em que o universo leonino mais se devia unir numa demonstração de serenidade e maturidade, alguns preferem, estrategicamente sair das sombras e dos exílios de vergonha para instigar à revolta.

No momento em que devemos todos, no melhor do nosso fervor clubístico ajudar a um clima de apaziguamento e diálogo entre todas as partes do clube, alguns escolhem por um pé fora do barco que sempre os transportou e apontar o dedo, precisamente a quem os protegeu dos erros que eles próprios cometeram.

No momento em que devem ser exibidas bandeiras brancas que tragam foco às equipas que estão a competir, alguns preferem contar espingardas e realizar recrutamentos espontâneos, visando actos sociais futuros, quebrando traiçoeiramente a solidariedade base do nosso associativismo.

No momento em que as declarações públicas e tomadas de posição devem centrar-se para dentro do clube e não para fora, protegendo a SAD de maior desconfiança dos mercados financeiros, alguns aproveitam a oportunidade para retirar mediaticamente o apoio à gestão da SAD, quebrando a lógica de investidor e assumindo as vestes de "controlador".

No momento em que a União deveria ser a palavra de ordem entre os Sportinguistas, alguns elegem dirigir ataques mesquinhos e cobardes a adeptos leoninos que apenas cometem esse pecado capital de não comerem gelados com a testa, ter croquetes como dieta aspiracional ou andar de braço dado com "apoios" oriundos de Carnide.

No momento em que os que criticam Bruno de Carvalho nos poderiam dar esse magnifico exemplo de sensatez, classe e "saber estar", alguns mostram bem o que valem, fazendo, dizendo e escrevendo coisas bem piores do que o Presidente alguma vez será capaz de fazer. Mentira, insinuação, deturpação, desinformação, tudo vale para reescrever a história segundo "Os Nobres do Sporting".

No momento em que o clube mais precisa da inteligência e capacidade de reflexão dos seus sócios, alguns não hesitam em fazer sumarentos convites à estupidez e à ingratidão, ignorando completamente as regras da democracia e do associativismo, tentando criam um movimento massivo de opinião pública que apague tudo o que de bom tem sido feito ao longo dos últimos anos.

É esse o momento em que nos encontramos. E é nesse momento que mais vos convido a voltarmos aos ensinamentos dos nossos pais, avós, professores e demais, lembrando-nos sempre que a palavra, a honra, a gratidão e a solidariedade para quem nos quer bem...jamais poderá ser quebrada. O Sporting não poderá voltar a ser um Solar de Passatempos Heráldicos, um antro de arrogância e de pactos de consanguinidade.

SL

terça-feira, 20 de março de 2018

The Next Episode

Findo o ciclo intermédio da época, o Sporting continua a manter todas a hipóteses de fazer deste ano desportivo um sucesso. Pode ainda lutar pelo título, pode virar o resultado da meia-final da Taça de Portugal, em casa frente ao Porto e mesmo sendo o Atlético de Madrid o adversário teoricamente mais difícil desta fase da Liga Europa, ainda assim, nada está perdido à partida.

Liga NOS

A deslocação a Braga é um teste à capacidade da equipa do Sporting para dizer sim à continuação da luta pelo título. Passando na cidade dos Arcebispos, poderemos pensar em anular a desvantagem de 3 pontos frente ao Benfica recebendo-os em Alvalade. Quanto ao Porto, esperar que percam na Luz, não chega e algo mais terá de acontecer para podermos recuperar mais 2 pontos (que na verdade serão 3, face aos resultados dos nossos embates frente aos mesmos). Mesmo com toda esta contabilidade, é possível (não é o mesmo que dizer provável) que ainda possamos ter muito a dizer nas contas do pódio desta Liga. Passar em Braga, é mesmo fundamental, até porque arruma de vez com o fantasma da perseguição dos minhotos.

Taça de Portugal

Foi evidente para qualquer espectador que mesmo perdendo o último clássico no Dragão, não foi nada evidente a tal superioridade (tão defendida até essa partida) da equipa portista sobre nós. Logicamente a vantagem pertence-lhes, mas não é tarefa de Hércules, devolver o resultado da 1ª mão e numa noite de muita competência, até suplantá-lo. O Porto parece mais do que focado na questão do título e um mau início de jogo azul e branco pode jogar psicologicamente a nosso favor. Quem vencer esta meia-final, terá as portas mais que escancaradas para vencer a competição. Entre o Aves e o Caldas (e a balança penderá mais para os primeiros com o resultado da 1ª mão) e com o devido respeito, não haverá muito quem aposte num deles para fazer uma surpresa no Jamor.

Liga Europa

Calhou-nos a fava no sorteio. O Atlético de Madrid é de facto, como diz JJ, de nível Champions League. Só de olhar o plantel ficamos com uma ideia clara das nossas hipóteses (Oblak, Godin, Felipe Luis, Koke, Gabi, Correa, Griezmann, Diego Costa, Fernando Torres e tantos outros) mas participar em fases finais de grandes provas europeias é mesmo isto, teremos sempre que nos medir com os melhores e fazê-lo de forma particularmente excelente se quisermos vencer.
Além do mais convém destacar que os colchoneros apostam muito do sucesso da sua época, na conquista deste troféu. Já longe do Barcelona (11pts) e seguros em lugares de acesso à Champions, a história do Atlético nesta LaLiga será quase restrita à luta com o Real pelo 2º lugar. Na Taça do Rei já foram eliminados, portanto, é fácil de concluir que os próximos jogos com o Sporting serão encarados como os mais importantes.
Não há muito a jogar a favor do Sporting nesta eliminatória, apenas um dado. A confiança absoluta (a ver vamos se excessiva) de que o Sporting era o adversário mais acessível no sorteio e que o grau de dificuldade (para eles) será bastante baixo. Eu acredito que num acerto tático exímio e com exibições bastante competitivas, o Sporting pode (on every given Sunday) derrotar o Atlético.

SL

quinta-feira, 15 de março de 2018

Cenas que preocupam

A poucas horas de um jogo que se antevê difícil, mas em que todos depositamos a confiança de ser mais um passo em frente na LE, olhamos para os jogadores disponíveis e não deixa de ser matéria de reflexão a utilidade deste plantel ter mais de que uma solução para cada lugar, que prefazendo um plantel extenso, não dá ainda assim ao Sporting garantias seguras de não poder existir perda de rendimento.

É que com a quantidade de amarelos que o Sporting sofre, a quantidade de jogos acumulados que tem e o desgaste ou lesões a isso associado...qualquer plantel, mesmo grande, torna-se ínfimo. Só para o jogo de hoje temos:

Piccini (regressa de lesão)
Lumor (não foi inscrito)
Coentrão (regressa de gripe)
Coates (suspenso)
A.Pinto (regressa de lesão)
William (suspenso)
Wendel (não foi inscrito)
Misic (impedido de ser inscrito)
Bas Dost (regressou de lesão)
Rafael Leão (lesionado)
Doumbia (lesionado)
B.Cesar (lesionado)

São 11 jogadores impedidos ou bastante condicionados, 11...

Como é óbvio, os que podem ir a jogo são mais que suficiente para poder passar a eliminatória. E assim acontecerá, desejavelmente. O problema não virá tanto agora, mas na(s) próxima(s) fase(s) da competição. Aí, não poderemos tapar ausências com remendos. Ou nos exibimos na melhor das nossas capacidades ou, naturalmente, cederemos perante equipas como Atl.Madrid, Arsenal, Lyon ou Leipzig, emblemas que lutando por lugares de apuramento de CL, não têm qualquer problema em reservar jogadores para tentar vencer esta prova da UEFA.

E exibirmo-nos no nosso máximo também irá depender de o fazermos com os nossos melhores jogadores. Fica a dica...

Hoje irão a jogo, previsivelmente: Patrício, Ristovsky, Coentrão, Mathieu e A.Pinto (Piccini), Battaglia (Petrovic), B.Fernandes, Acuna, Gelson, Montero e Ruiz

Tendo no banco: Salin, Piccini, Petrovic, Rafael Barbosa, RR7, Dost