segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Meia recta final

Não é a recta final para o fim da época, mas sim para o fim do ano, para o início de nova janela de mercado e para o derby na Luz. Até lá, falta apenas um jogo para o campeonato - recepção ao Portimonense. Segue-se o clássico e a receção ao Marítimo. São 3 jogos de graus de dificuldade bastante diferentes, mas onde temos toda a legitimidade de amealhar 9 pontos e fechar uma primeira volta muito boa, ao nível das melhores que um grande consegue fazer...numa boa temporada.

O mercado em Janeiro pode trazer algumas correcções e, espero eu, saídas de menos impacto na força da equipa. É verdade que alguns jogadores continuarão a ser alvo de abordagens de clubes com outro tipo de orçamentos. Dost, Gelson, WC e companhia, são atletas com mercado, mas por uma razão ou por outra, serão nesta altura trunfos difíceis de alienar sem que as hipóteses do título fiquem um pouco mais reduzidas.

Os acertos que imagino necessários e alcançáveis serão mais ou menos estes:

- Se Jonathan Silva sair, precisamos de uma alternativa a Fábio Coentrão (além disso o tempo de lesão do Argentino é longo e não sabemos quanto mais levará até ser realmente opção).

- Urge resolver a saída de Douglas e se somarmos a isso uma possível venda de Tobias Figueiredo...é possível a entrada de uma nova solução como central.

- Se Battaglia, Palhinha e William chegam e sobram para fazer a posição 6, a verdade é que a posição 8 depende demasiado do argentino. Nem Bruno Cesár e muito menos Bryan Ruiz se sentem confortáveis no papel de "box-to-box" e Bruno Fernandes é desperdiçado (a meu ver) nessa função. Ter uma alternativa "séria" e competitiva a Battaglia dava um certo jeito. A situação de Petrovic parece-me merecedora de uma saída digna de Alvalade.

- É certo e sabido que Iuri não teve o impacto que se esperava no Sporting. Depois de boas épocas emprestado pensou-se que a maturidade e influência revelada seria suficiente para explodir de leão ao peito. Ainda não aconteceu e a equipa precisa de um desequilibrador que renda (com qualidade) quer Gelson, quer Acuña. A sair, Iuri, abrirá vaga para um ala.

- Com a chegada de Bruno Fernandes, com a constância de exibições de Bruno César, Alan Ruiz e Mattheus Oliveira parecem cada vez mais cartas a navegar à solta no baralho. Para que não percam uma época e desvalorizem, era conveniente encontrar uma solução boa para todas as partes.

- Doumbia é um jogador útil. O problema é que custou demasiado e o seu salário é ajustado a outros adjectivos mais significativos que "útil". Fala-se numa venda com uma boa valorização para os nossos cofres e essa é a única razão para ver um jogador deste nível sair a meio da época. Sinceramente acho que, mesmo não tendo encaixado no esquema tático de JJ, é um valor a ter sempre em conta e se tiver de sair - terá que chegar algo dentro do mesmo calibre, pois Dost não pode ser a única referência na frente de um plantel com tantas soluções para outras posições.

Obviamente que não espero que todos estes cenários aconteçam, mas grande parte irá mesmo ter de ser resolvida. Não esquecer que estamos na ante-câmara de um Mundial, com muitos jogadores a precisar de minutos para entrar nas convocatórias finais. Algumas destas posições podem ser reforçadas com atletas nessa condição.

SL

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Clássicos

Adeptos do Benfica queixam-se do árbitro. Adeptos do Porto queixam-se do árbitro. Sinceramente, como adepto do Sporting dou razão (ou retiro-a) a ambos. Razões de queixa assistem a ambas as equipas, mas não me parece que Jorge Sousa tenha desequilibrado a partida em favor de qualquer um. Há claramente um fora-de-jogo mal assinalado em desfavor do Porto (atenção que não se pode falar em golo anulado, já que o apito já tinha soado anteriormente) e provavelmente um penalti de Luisão.
Do outro lado, o Benfica pode queixar-se de algumas entradas de jogadores do Porto que podiam ter tido sanções disciplinares mais graves.

No deve e no haver, com uma arbitragem que espalhou erros por toda a partida e por ambos os conjuntos, só se pode concluir que não foi pela arbitragem que o jogo terminou com um empate, mas sim pela ineficácia dos anfitriões e pela táctica à "pequeno" dos benfiquistas. E aqui merece um especial destaque a perda de "gás" que a equipa nortenha vem a demonstrar em frente à baliza, expondo um Porto com mais fragilidades do que revelou no início da época. Há cada vez mais analistas que já entenderam que a equipa de Sérgio Conceição tem pouca profundidade táctica, ou o plano A resulta, ou não há nada a fazer e o "disco riscado" repete-se pelos 90 minutos, sem capacidade para ir muito mais além de substituir peças.

O Benfica foi mais do mesmo frente aos rivais que lutam pelo título. Uma equipa escondida, remetida a 40 metros, com as linhas quase juntas...a rezar para que nenhuma bola entre na sua baliza. É a cena de Rui Vitória, que assenta as suas hipóteses de sucesso na perda de poucos pontos nos outros jogos, dando de barato que ficaria feliz com 4 empates nos "clássicos". Valha ao menos a verdade, não tremeu tanto como seria esperado, mas também não deixa de ser evidente que se o Porto tem marcado alguma das oportunidades que teve, veríamos o lado mais negro desta equipa - ou seja - a incapacidade para esticar a manta para também atacar.

Já no outro clássico, o de Lisboa, o Sporting fez serviços mínimos para levar de vencida o Belenenses. E, diga-se, que devia ter sido mais que o suficiente. Várias ocasiões de golo desperdiçadas e um nervosismo (mais nas bancadas do que no rectângulo de jogo) desnecessário são lados da mesma moeda e convém que todos os adeptos se vão consciencializando que há muitos jogos onde é preciso sofrer. Nem todas as vitórias são "à vontadinha", nem todos os 3 pontos são "na descontra". O Belenenses também joga, e mesmo que pouco, joga.

A própria equipa do Sporting também tem de adquirir mais pragmatismo, não se podem perder golos em fases decisivas dos jogos, mesmo que o adversário pareça não vir a constituir ameaça à nossa baliza. Coisa que por exemplo não aconteceu em Paços de Ferreira, equipa que repetidas vezes ameaçou perigar a nossa vitória. Mais foco e concentração na decisão é fundamental, entendendo que golos perdidos podem ser o caminho para a perda de pontos. Mais do que por vezes avançar no marcador, é decisivo retirar confiança ao adversário...afastando-o de vislumbrar a obtenção de pontos.

SL

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Boas surpresas

Tantas e tantas épocas somamos por surpresas negativas algumas vedetas que são contratadas pelo Sporting, que se torna justo fazer o exercício contrário, quando ele existe para ser feito.
Ristovksy e Piccini são dois jogadores, curiosamente contratados para a mesma posição, que têm vindo a constituir-se em surpresas, pela positiva.

Apesar da demasiada descrição com que entrou na titularidade, o italiano vinha a ganhar espaço e sobretudo confiança no seu jogo. O pessimismo inicial dos adeptos, que enfermaram das dores dos "analistas", foi sendo ultrapassado e o mérito das boas exibições de Piccini foi devidamente reconhecido. Parece-me claramente um excelente defensor que assim que ultrapasse alguma contenção ofensiva, assegurará o lugar com elevada distinção.

O caso do macedónio Ristovsky é bem diferente. Ao contrário de Piccini, não veio de um clube que havia feito uma má época (Bétis), mas sim do Rjeka, campeão croata. Era e é o titular da sua selecção e desde o primeiro minuto de atuação que mostrou ao que vinha. É aguerrido, lutador, atleticamemte possante e faz questão de mostrar que não guarda reservas em qualquer dos momentos das partidas. De certa forma, não é um protótipo de jogador que estejamos habituados, mas encaixa perfeitamente no estilo de jogadores que costumamos gabar quando vemos jogos da Bundesliga ou Premier League, desejando ter qualquer coisa parecida.

Embora sendo jogadores completamente diferentes, que dão coisas completamente diferentes à equipa, são na minha opinião dois jogadores com qualidade, com margem de crescimento e com atitude muito profissional. E são também boas surpresas, pois não é fácil que pelo investimento que representaram, que se constituíssem em duas boas aquisições, claramente para manter e apostar agora e no futuro. Dois bons investimentos.

SL

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

A podridão

Os últimos factos trazidos a público sobre as manobras de bastidores do Benfica adensam o argumento da Operação Emails ao nível não de comportamentos pontuais, mas sim de modus operandi válidos desde há muitas épocas atrás até ao dia de hoje.

Não querer observar esta ilação, além do apadrinhamento tácito por parte de altos quadros na FPF, Liga e Governo é não querer entender que este Benfica é um verdadeiro crime em modo repeat. E não querendo ler este quadro é pactuar com a imensa podridão instalada. Não posso deixar de ver toda esta passividade como um prenúncio de ruína do futebol português. Porquê?

Simplesmente porque ao não punir os infratores, estamos a validar a sua ação e mais...estamos a validar os seus expedientes. Se nada for efectivamente punido com exemplar severidade, tudo será repetido e tudo se instalará como procedimentos normais. O crime será admitido como processo, será considerado opção. Morrem as leis e nascem as seitas, acaba a justiça e a igualdade e começa o reinado dos criminosos. O Brasil ainda hoje tenta sair desse estado de sítio e convém olhar para a força dos grandes emblemas brasileiros nos anos 60, 70 e 80...e o que são agora.

A longo prazo até os clubes que dominam o sistema acabam a definhar com o descrédito das competições, mas isso nada inibe personagens como Vieira, o que lhe preocupará o futuro, podendo tirar todas as vantagens que o "manto protector" lhe dá agora? E esse é o verdadeiro problema do futebol português: os infiltrados que o usam para tirar proveitos secundários, criando danos que demorarão décadas a reparar. Alguém nos dias de hoje porá as mãos no fogo por algum resultado, algum árbitro, algum dirigente ou instituição no nosso futebol? E de quem é a culpa? Dos adeptos? Do desporto em abstracto? Da relva ou das camisolas?

SL

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Tempo de criticar? Sempre.

Com os maus resultados regressa a velha polémica no universo leonino: ao criticar JJ, os jogadores ou a Direcção, estaremos a manifestar desunião e quebra de apoio à equipa de futebol ou ao clube num todo?

A minha resposta é: depende. E depende só do tipo de crítica. Dou exemplos.

Crítica destrutiva: "cambada de anormais, para mim chega! Não ponho mais os pés em Alvalade!"
Crítica construtiva: "acho que o plantel devia ter mais rotação, aí JJ pode fazer bem melhor."

Crítica destrutiva: "o Gelson não está a jogar nada, é só mais um deslumbrado!"
Crítica construtiva: "Gelson está a atravessar um período menos bom, oxalá regresse ao seu normal"

Crítica destrutiva: "enquanto JJ estiver no Sporting, vamos ganhar...bola!"
Crítica construtiva: "JJ tem de rever a velocidade de jogo da equipa, não podemos atacar a 5kms/h"

Atenção que não nego direito a ninguém de se expressar como quer e lhe apetece. Mas também está no direito de todos os outros responder à mesma, observando a sua qualidade e sobretudo objectivo. O direito à crítica funciona para todos os lados, até para o lado de quem...crítica. E não pensem que é bom não existir crítica. É péssimo. Sobretudo nos momentos menos bons, o facto de existir este meio de descarregar frustração é fundamental, até quem produz as observações mais descabidas e histéricas está sobretudo a "limpar o cesto", a arrumar espaço para existir uma renovação de crença, que seria de todo impossível se não existisse a purga de sentimentos negativos.

Tempo de criticar? É todos os dias. Ajuda todos se a ideia for colocar o foco na opinião como melhorar. Ajuda o próprio se apenas tiver como intenção descarregar frustrações. Tudo faz parte de um enorme puzzle emocional e que é do Sporting sabe que não vale a pena fingir que não existe.

SL




quinta-feira, 26 de outubro de 2017

3 pontos de máxima importância

Amanhã joga-se uma partida fundamental para a carreira do Sporting nesta Liga. A distância de 2 pontos para o 1º lugar e de 3 para o 3º recomendam vivamente que não se cedam pontos aos rivais. É de uma importância fundamental não perder a colagem à liderança e bastante conveniente não dar "moral" a um Benfica a tentar desesperadamente encontrar tábuas para se conseguir elevar do pântano exibicional em que se encontra.

Convém também salientar que o Rio Ave, apesar de não parecer estar na sua melhor forma, é uma equipa com futebol mais do que suficiente para nos fazer passar por apertos. Amanhã não iremos ver um opositor atrevido a tentar jogar olhos nos olhos, como por exemplo fez na temporada passada, mas isso não significa que deva ser menos difícil de ultrapassar. Ainda me está na memória o verdadeiro atropelamento que sofremos na temporada passada, um 3-1 complicado de explicar, sobretudo complicado de entender como foram tão superiores a nós (especialmente na 1ª parte).

Avisados de que repetir o "apagão" do último jogo disputado não é uma hipótese, resta à equipa do Sporting encarar com máxima responsabilidade a conquista de mais 3 pontos. O conjunto leonino parece estar de boas relações com o golo e sublinhar essa capacidade desde o 1º minuto de jogo é o ideal para não deixar o Rio Ave assentar o seu jogo. O Benfica bem que nos mostrou o que pode acontecer a quem desconsidera estes vilacondenses e, tendo em linha de conta o que fizemos na última deslocação a norte (Moreirense), há muito onde encontrar motivos para exibir o melhor Sporting, na melhor das atitudes, no máximo de concentração que formos capazes.

Um Sporting focado e exigente ultrapassará o Rio Ave com naturalidade. Menos do que isso e estaremos a facilitar as azias da dupla Jorge Sousa - Capela, a recuperação do ânimo do Rio Ave ou o estatuto de Miguel Cardoso no mercado dos treinadores.

Saudações Leoninas

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Muitas notas artísticas

- Dost voltou. Hat trick à "moda antiga", três golos de matador e uma assistência. Já tínhamos saudades destes jogos e o holandês...também. Bem na flash a destacar colegas e a afirmar que podem contar com ele.

- Gelson também pareceu acordar da letargia dos últimos jogos, não marcou mas tantas vezes infernizou os defesas do Chaves que lá encontrou espaços para servir colegas que viriam a decidir a partida. Um pouco mais de foco a "seguir" o lateral adversário e estaria perfeito taticamente.

- Acuña é gajo para dar muitas alegrias aos adeptos, mais do que os golos ficou-me na retina um par de recepções e bypass's aos defesas contrários...jogador importante.

- Bruno Fernandes teve novas missões e o melhor elogio que se pode dar é que a equipa esteve sempre ligada e ligada por ele, primeiro a "pensar", primeiro a distribuir, primeiro a recuar quando perdíamos a posse de bola.

- William, só não foi o "monstro" que nos tem habituado porque...não era preciso. Ainda assim dois ou três "abafanços" que tiraram ideias aos flavienses de atacar pelo meio.

- Piccini. Quem diria? Sobe de nível de jogo para jogo. Confiança, essa pedra de toque miraculosa. Nunca será um "predestinado", mas a jogar como tem jogado, ninguém vai ligar muito a isso.

- Coentrão, o problema não está mesmo dentro de campo. Lá, onde se joga, é um poço de boas decisões e muitos equilíbrios. Se pudesse fazer 10 jogos seguidos...

- Last, but not least...Podence. O Chaves nunca soube bem o que fazer com ele e o puto aproveitou para entre os pingos de Gelson levar as "cartas" bem legíveis a Dost. Não foi um jogo brilhante, mas foi mais do que o suficiente para fazer pensar JJ.

Saudações Leoninas

PS - A decisão do árbitro quanto ao penalti por marcar e amarelo, por simulação, a Gelson é das coisas mais incompreensíveis que vi esta época. O problema não é o VAR, é mesmo a competência do(s) árbitro(s). Inacreditável como mesmo depois de ver as imagens, mantém a decisão e o amarelo. Se alguém precisar de provas para defender que a nossa arbitragem tem um nível fraco...é só ver esse lance. Continuamos a "sofrer" de uma "antipatia" monumental por parte dos árbitros e ontem foi só mais uma "provocação". Como o adversário não dava para mais, o senhor árbitro quis fazer as vezes...criando ele próprio as dificuldades. Amarelos por mostrar a médios dos Chaves...uns 4 ou 5.