quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Europa, Oropa ou Ieuropa?

É visível que este Sporting de BdC tem uma coisa: ambição. Pode não ter muitas vezes as ferramentas para sustentar a fasquia que se auto-impõe, mas até agora a atitude tem sido sempre a procura do melhor, mesmo que o seu insucesso valha assumir o incumprimento dessa mesma ambição. Pode-se argumentar sobre a validade deste posicionamento face aos objectivos, mas o que não se pode discutir é a visão e estratégia por detrás desta elevada exigência.

Enquanto tantos outros desistem de alcançar o "grande prémio" para não lidar com as consequências no caso de insucesso, o Sporting prossegue, independente das "bocas", com os olhos bem postos lá em cima, no maior risco de todos, mas também no caminho mais rápido para a salvação do seu projecto de recuperação. A figura do clube que sai mansinho da Champions para ser bestial na Liga Europa está tão bem vendida aos adeptos portugueses que vejo muitos a argumentar a primazia do prémio de consolação. Para mim, não é nem a melhor alternativa financeira, nem a melhor solução desportiva. Só a passagem aos oitavos na Champions vale quase 4 milhões de euros, dinheiro que na Liga Europa só surgirá com uma final e a verdade é que o prestígio desportivo de pertencer aos 16 melhores clubes da Europa é bem melhor do que ser finalista da Liga Europa. Veja-se a quantidade de clubes que chegam à final da 2ª prova Europeia vindos da repescagem da Champions.

Todos os que advogam em favor dos benefícios de longa carreira na Liga Europa, partem de um principio limitado - que o Sporting irá cair nos oitavos…simplesmente porque ninguém imagina o nosso clube a eliminar um Barcelona ou um Real Madrid. Ok…é fácil perspectivar uma eliminação frente aos "top dogs" europeus. Mas e se nos calhar um Mónaco? Ou "este" Atlético de Madrid? Ou "este" Dortmund? Não existe a real hipótese de chegar aos quartos de final? E quanto dinheiro poderá essa passagem valer? Mais 7 ou 8 milhões? A verdadeira montra dos grandes negócios é a Champions…quantos grandes negócios valerá uma chegada aos quartos? O que pode ganhar este plantel em Janeiro se existir a promessa de prémios mais avultados? Quantos estádios cheios valerá? Como aumentarão os prémios dos patrocinadores internos? Quantos novos sócios serão angariados e quantas cotas em atraso serão pagas finalmente?

São estas perguntas que me fazem crer que hoje à noite quando defrontarmos o Chelsea, estaremos a testar a nossa capacidade efectiva de permanecer na prova. O clube londrino vai poupar 3 ou 4 jogadores mas olhando para o provável 11 titular (Ceh, Felipe Luis, Ivanovic, Zouma, Azpilicueta, Ramires, Fabregas, Schurrie, Oscar, Salah e Diego Costa) podemos constatar que nem por sombras esta é a tal equipa que tornará mais fácil atingir um bom resultado em Londres. Ainda para mais, não há qualquer pressão sobre os jogadores ingleses, o que penso ser indicativo que a táctica de Mourinho será menos reservada do que o habitual. Sabendo da nossa capacidade para aguentar ataques continuados e organizados….o quadro não é tão famoso com se anuncia.

Voltando ao início, podemos encarar esta deslocação de duas formas: ou preparamos os adeptos para a derrota (o que não significa eliminação) ou afirmamos o atrevimento de querer mais do que passear camisolas em Londres…e não tenho dúvidas que a mentalidade de Marco Silva será sempre mais favorável a tentar fazer em Stanford o que fazemos em qualquer estádio português - procurar a vitória. Oxalá nos saia um Sporting à semelhança da eliminatória da Taça no dragão e não a versão de Guimarães. E já agora oxalá o Maribor queira mesmo ir à Liga Europa e não se meta com táctica defensivas à espera da sorte (o soft spot do Schalke é a defesa)…a nossa sorte da Champions pode até jogar-se mais na Eslovénia do que na capital inglesa.

Seja como for, continuaremos na Europa. Cumprimos o patamar mínimo de uma equipa do pote 3. Mas…acreditar faz parte do jogo e eu acredito que não é impossível empatar ou ganhar em Londres e ainda será mais possível aguardar por uma vitória do Maribor. Sinceramente far-se-ia justiça, depois da estupidez de um pénalti marcado no último minuto de jogo na Alemanha por um russo que nos irá acompanhar na história caso sejamos eliminados.


SL 

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