sexta-feira, 21 de julho de 2017

Perder o timing

Não digo que chamar Octávio Machado para dirigir o departamento de futebol do Sporting foi um erro. Mas talvez se tenha adiado o fim desse papel. O "palmelão" é um homem do futebol, não daqueles engravatados de iPhone na mão, mas um decano do futebol real, dos balneários, das guerrilhas e um conhecedor profundo das layers de esquemas que regem o burgo.

Quem seguiu com alguma atenção o que este ex-jogador, treinador e director foi dizendo ao longo de várias décadas terá de dar razão ao muito que foi revelando algures debaixo da sua frase de assinatura "vocês sabem do que eu estou a falar". Sim, Octávio...agora sim temos uma ideia do que estavas a falar. Mas, apesar desta validade como guerreiro anti-sistema, a verdade é que ninguém já compreendia muito bem qual era a sua função específica.

Como tal e precisamos de inserir nesta circunstância o estado de saúde que Octávio atravessou, penso que a honorabilidade de esperar pelo fim da ligação contratual não foi a melhor opção. O próprio Octávio acabou por não se pacificar com aquilo que já era mais do que óbvio, aquilo que dava à estrutura de alguma forma tinha sido ultrapassado por todos os acontecimentos recentes do futebol português.

Ontem foi dia de resposta por parte de BdC e foi...dura. Confesso que teria preferido que o presidente optasse por desvalorizar as palavras de Octávio e apenas lhe tivesse desejado "boa sorte", mas por razões que são entendíveis, BdC fez por colocar o ex-director técnico num lugar secundário revelando até algum rancor pelas palavras pouco elogiosas que dedicara não tanto a ele próprio, mas aos que acompanham a estrutura do futebol.

Espero que tenha sido o ponto final numa polémica absolutamente desnecessária, que revela acima de tudo que o timing da saída de Octávio foi demasiado tardio, quiça por excelentes razões que não foram dessa forma colhidas por quem de direito. Algo que também não surpreende ninguém. Octávio nunca saiu a bem de nada na sua vida. É a sua imagem de marca.

Saudações Leoninas

P.S. - Se Octávio foi a 3ª escolha, foi a escolha acertada. É que com nomes como Carlos Janela (o cartilheiro-mor) ou Pedro Sousa (que teve/tem um processo em tribunal com o Sporting) à sua frente...mal por mal, preferiria 1000 a escolha que acabou por ser feita.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Calma...

É claro que perder 3 vezes seguidas frente a adversários com aparente igual valia em termos competitivos é desmoralizador. Não deixa pelo menos de fazer soar alguns alarmes nos adeptos mais impacientes. Mas mesmo que tenhamos a paciência de entender que há muitas coisas a agilizar neste novo plantel e que isso requer tempo, não deixa de pelo menos servir de análise a forma como sofremos golos e a aflição que se gera para criarmos oportunidades.

Por outro lado, é mais que evidente que com Patricio a dar mais segurança ao sector recuado, Adrien e William a pautarem as manobras e o ritmo de jogo, Acuna e Gelson a abrirem espaços no ataque (colocando Dost ou Doumbia muito mais em jogo) este Sporting vai parecer outro. Será também óbvio que a integração dos reforços é ainda muito recente e por mais que B.Fernandes dê sinais de ser individualmente um bom reforço, não deixa de ser verdade que o seu diálogo com os restantes companheiros de meio-campo é ainda muito ineficaz.

Na minha opinião, o cansaço e sobretudo a demora no entendimento das manobras são o facto mais preocupante neste estágio. Muitos jogadores ainda não se adaptaram e talvez isso não fosse esperado, mas tem obviamente solução. Além disso, acredito que o mercado - o grande - está só agora a começar e muita coisa pode ainda mudar e coisas decisivas. Vamos pois ter calma e confiar nos profissionais, que é para isso que lhes pagamos.

Saudações Leoninas

terça-feira, 18 de julho de 2017

E na esquerda pá?

Parece que JJ e restantes opinion makers da praça finalmente descobriram que faltava uma solução para a lateral direita no Sporting. Isso é bom. Mas falta mais do que isso. Para lá de ter de existir uma opção a Piccini (que me parece um pouco mais dotado que Schelotto tecnicamente e com um pouco mais de noção de linha que o argentino, mas que não parece mais certeiro nos cruzamentos, para já) a meu ver seria essencial existir um back up convincente a Coentrão.

Se os azares acontecem a qualquer jogador, seja qual for a idade e a posição, Coentrão está um pouco mais acima da estatística e a probabilidade de se lesionar é bem mais evidente. Perante este facto, repito...facto, o que deve o Sporting fazer? Apostar num lateral argentino que ainda ninguém consegue prever a sua real evolução? Eu não jogaria as minhas fichas em nenhuma destas "odds". E André Geraldes deixou de ser também opção, como prova a sua última exibição. Pessimista? Sim. Duro? Sim. Desconfiado? Sempre. Os erros da época passada estão aí para nos relembrar da implacabilidade da lei de Murphy.

Foi preciso chegar a meio de Julho para existir consenso na questão do lateral direito e espero não ser preciso avançar mais um mês para olhar para a ala oposta da mesma forma. Eu sei que muitos negócios estarão ainda para serem ainda iniciados (Marvin e Schelotto que o digam) e a roda dos milhões só agora vai começar a girar a sério, mas não custa começar o quanto antes a olhar para as soluções disponíveis no mercado. É que se a roda se move, tal não significa que os preços se mantenham...bem pelo contrário.

Saudações Leoninas

P.S.- Não faço a mínima ideia se a notícia tem fundamento.

sábado, 15 de julho de 2017

Antes de criticar

...devemos tentar ver todos os lados de uma questão.
Este é um bom conselho para tudo na vida, mas especialmente bom para entender porque o Sporting leva a estágio de pré-temporada tantos jogadores oriundos da sua formação, não parecendo haver realmente hipóteses de ficarem no plantel final.

Algumas destas explicações podem estar na base da verdade e de facto tornam tudo muito mais compreensível e justificável:

1\ Fazer parte do estágio de seleção da pré-época valoriza os jogadores, especialmente os que o clube quiser emprestar a bons emblemas que os coloquem mesmo a jogar.
É um estatuto diferente sair directo da equipa B e dos júniores ou sair da equipa principal.

2\ Nem todas as contratações estão feitas, mas há amigáveis a disputar e sobretudo há treinos de 11 contra 11 para fazer. Ter jogadores que emulem o papel de futuras aquisições no plantel pode ser essencial para ensaiar muitas tácticas.

3\  O futebol é sempre imprevisível e as hipóteses de um jovem jogador convencer a equipa técnica é bem real. Os exemplos no passado são vários e lembro-me muito bem com William fez a grande surpresa dos adeptos ao conquistar não só um lugar no plantel mas na titularidade.

4\ Trazer um jovem a treinar em estágio com a equipa principal é uma enorme motivação e a melhor prova que tem importância para o clube. Mesmo não ficando ou até repetindo estágios sem fazer parte do lote final, a verdade é que é bem melhor ir do que não ir. Se nos colocarmos na posição do atleta entenderemos muito bem a diferença.

5\ Apreender as ideias do treinador principal ainda que sem continuidade na época é uma espécie de formação muito valiosa e JJ trabalha com o mesmo modelo há muitos anos. Ter a oportunidade de ir actualizando a adaptação a estas ideias é uma forma de acelerar possíveis integrações futuras.

6\ Existirá melhor forma de avaliar a evolução de um jogador do que trazê-lo para treinar com os melhores?

Pode ser que depois de lerem estes seis pontos possam entender melhor porque de 30 jogadores na Suiça, pouco mais de metade seja inscrita nesta janela de mercado.

Saudações Leoninas

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Corte e cola

Tal como havia dito no post seguido da vitória frente ao Fenerbache, não devemos aquilatar todo o valor do plantel pelos resultados dos jogos da pré-época. O de ontem foi claramente um mau teste, com a exibição de um nível de jogo muito incapaz para a solidez defensiva do Valência e a agressividade espanhola. É verdade que não devem ser ignorados os erros cometidos, muito menos a dificuldade de criação de oportunidades, mas o desconto deve ser dado a um plantel que ainda não está preparado para fazer as despesas de jogo em 180 minutos...quase seguidos, frente a duas boas equipas.

As peças mais influentes estão ou fora de forma, ou ausentes e para os restantes (que começaram os treinos mais cedo) há um longo caminho a percorrer para que se faça um filtro decisório, o episódio final para saber se ficam ou se serão emprestados. Ainda assim, arriscaria dizer que se notou pelas opções e tempo de jogo que o tal plantel pode ser fechado da seguinte forma:

1/ Será preciso uma opção na defesa direita e esquerda que não estão no plantel. A.Geraldes e Jonathan Silva não parecem ao nível do restante plantel, para o argentino pode até ser ainda cedo para traçar-lhe já o destino mas a verdade é que há negociações com o Boca Juniores. Além disso Mathieu não está a ser testado como solução na esquerda e isso quer dizer muita coisa.

2/ Apesar dos rumores que o Sporting pode avançar para a compra de um novo central, tal só deverá acontecer se a entrada de dinheiro através da alienação de soluções que ficaram de fora, forem efectivas. Ainda assim, Coates e Mathieu estão seguros e P.Oliveira, D.Duarte e Tobias são soluções a ter em conta.

3/ Adrien e William Carvalho a serem vendidos terão obrigatoriamente de ser substituidos por contratações. Petrovic, Battaglia, Matheus Oliveira e Bruno Fernandes não chegarão para fazer essa despesa tão elevada, pelo menos para já. Assim de repente diria que se os campeões europeus sairem, Palhinha e Matheus Oliveira saem também do plantel. É mesmo gente a mais.

4/ Com a chegada de Acuna, o lote de alas ficará completo. Iuri está a dar boa conta de si e até Podence está a mostrar poder ser opção na ala. Gelson não parece tão próximo da saída como há duas semanas atrás e ainda há B.Cesar ou Geraldes e Mattheus Oliveira (que também foram testados numa posição mais interior).

5/ Falta evidentemente uma alternativa a Dost e ela não é claramente A.Ruiz e será ainda cedo para o Ruiz mais jovem. Talvez o desbloqueio da venda de Castaignos traga novidades nesta matéria na próxima semana.

6/ Há excesso de alternativas para o lugar ao lado de Dost. Doumbia terá de ser uma delas. Dala, Podence e A.Ruiz são demasiados. Um grande quebra cabeças para JJ aqui nesta decisão.

Portanto se não sairem titulares previsíveis do plantel o que falta de mercado poderá ser mais ou menos isto:
1DD + 1DE + 1PL
O resto será optar pelos cortes do plantel actual, que serão muitos.

Saudações Leoninas.


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nem 8, nem 88

Confesso que não sou o espectador mais eufórico quanto aos jogos de pré-época. As experiências, os mistos de titulares com óbvios suplentes, as 15 substituições, os ensaios de modelos tácticos, as barrigas e as ressacas de treinos bi e tri-diários retiram às partidas a maior parte da expectativa de ver jogo jogado. Atura-se porque é o Sporting e porque há bastante curiosidade em ver algumas caras novas a jogar com a nossa camisola.

Dito isto, também convém assumir que não dou especial importância aos resultados dos amigáveis. Já vi clubes sofrer humilhações atrás de humilhações na pré-época e sagrarem-se campeões no final das contas, como já tantas vezes fomos "campeões de pré-temporada" e nem sequer um troféu vencemos nesses anos. A relatividade dos jogos e resultados é...enorme e para mim o conselho mais saudável é mesmo o aguardar sereno pelos jogos a sério, deixando a maior parte das conclusões lá para meados de Agosto.

Não vale a pena nem entrar por euforias, nem depressões. Essas ficam, para já, todas com as escolhas do treinador e a forma como vamos conseguir montar uma grande equipa, que nos permita lutar com armas poderosas pelos títulos em disputa.

Saudações Leoninas

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Como param as modas

Os plantéis até ao fim de Agosto nunca poderão ser considerados como fechados. É uma circunstância própria de não pertencer ao topo da cadeia alimentar do mercado das transferências. A qualquer momento a carambola do dinheiro pode levar um clube, recentemente vendedor, a chegar a um clube como o Sporting e fazer uma proposta convincente o suficiente para levar um activo que à partida estaria longe de ser considerado transferível.

Mesmo assim, já é possível entender que na baliza, Rui Patrício e Beto formarão nova dupla principal, restando saber quem vai ser o atleta escolhido para actuar na B e assim se tornar no 3º elemento do alinhamento. Falta, sem dúvida uma alternativa a Piccini, que estará dependente da venda de Schelotto. Já na esquerda, ficando Jonathan Silva (o que estranho, mas JJ lá saberá) e havendo mercado por Marvin, torna-se óbvio que há confiança na condição física de Coentrão, parece-me arriscado, mas os responsáveis...são responsáveis.
Nos defesas centrais, a fartura é mais que muita, mas se A.Pinto, Coates e Mathieu estão seguros, o mesmo já não posso dizer de Paulo Oliveira que, posso estar enganado mas, parece estar a ser preparado para uma cedência (resta saber se definitiva ou temporária). Entre Domingos Duarte, Tobias e Douglas deve estar encontrado a 4 escolha. Pessoalmente elegeria Tobias, já que me parece uma lástima prender a evolução de DD e errado pagar o salário de Douglas para mais uma época sem jogar.

No meio-campo está a grande dúvida deste mercado. William e Adrien estão nas listas de compras de muitos emblemas com dinheiro para gastar e o BdC, não estando a fazer de caixeiro viajante (como outros) não desdenhará realizar um encaixe volumoso o suficiente para pagar o sucesso financeiro da época inteira. Os seus substitutos estão mais ou menos por descobrir. Tanto Petrovic, como Battaglia, como até Bruno Fernandes não me parecem o grau de eficiência que o Sporting precisa nas duas posições referidas e embora tenham talento para lá chegar, não é lógico confiar em dois tiros incertos, quando se até tem margem financeira para procurar substitutos. Palhinha e Matheus Oliveira terão de esperar por oportunidades, as tais que podem surgir nestes jogos de pré-época ou rezar por uma boa carreira na Taça da Liga, em meados de Dezembro.
Nas alas, falta claramente um peso para equilibrar o talento de Gelson (Acuña parece próximo), ficando Iuri e Bruno César para as ocasiões. Não sei onde encaixar Ryan Gauld ou X. Geraldes por exemplo, mas no final de Agosto já teremos mais dados para fazer esta interpretação.

No que diz respeito ao ataque, os processos parecem-me mais adiantados. Na minha opinião faltará apenas a decisão de quem vai ser o suplente ideal de Dost. Leo Ruiz parece-me insuficiente (apesar do talento) e criminoso amputar-lhe o crescimento a jogar, portanto penso que a solução ideal seria a chegada de um jogador com provas dadas, mas de menor investimento financeiro. Para acompanhar Dost, existem várias soluções, Doumbia será a mais óbvia, mas há ainda Alan RuizDala e Podence (o que pode até ser excessivo na luta por 1 lugar com Doumbia). Via Matheus Pereira como útil nessa função, mas infelizmente JJ não o testou com convicção nessas funções e a minha esperança terá de ficar mesmo reservada aos meus instintos de treinador de bancada.

Convém também lembrar que o Sporting terá de colocar muita gente que não se encontra nestas linhas de texto, entre os quais Bryan Ruiz, Castaignos, Ewerton, Marvin e Schelotto. O que não será nada fácil pelo andar da carruagem.

Saudações Leoninas.

PS - Hoje há jogo com o Fenerbache. É às 19h30 e tem transmissão em directo através da SportTv1.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

No pasa nada!

Os espanhóis têm uma expressão, carregada de ironia, usada para classificar momentos em que apesar da confusão total, os mais responsáveis pela criação da mesma, agem como se nada se passasse.
É este o momento actual do futebol português.
A casa arde, os pisos cedem, há cadáveres soterrados e moribundos que ninguém resgata, mas quem olhar para as pessoas mais responsáveis vai pensar que tudo está como sempre esteve, todos apresentam numa serenidade quase angelical.

É claro que todos sabemos que o início desta época vai ser uma barracada sem memória. O chavascal é imenso e promete alastrar até ao ponto de ninguém conseguir sequer inspirar uma golfada de ar fresco. Vai ser epicamente desastroso observar cada pequena polémica resultar em todos o tipo de consequências, algumas antevejo que graves. E será então que a demissão será real e será só nessa altura que os que agora deviam cuidar para arrumar a casa, vão admitir a profunda incapacidade para "mandar" o que tem de ser mandado.

Espanta-me que ninguém consiga vislumbrar o mar de conflitos em que todos estes escândalos vão desembocar e que ninguém esteja na disposição de resolver antes de resultarem em posições extremas (muito pior do que já se vê) onde literalmente vai ser impossível realizar jogos de futebol sem que os adeptos, dirigentes, árbitros ou jogadores arrisquem parte da sua integridade física ou psicológica.
Já venho a dizer isto há semanas, mas aparentemente há quem imagine uma normalidade inexistente e uma plataforma de entendimento capaz de suportar uma competição desportiva.

Não há confiança de ninguém em ninguém. Não há respeito de ninguém por ninguém. Só há vontade de ver aplicada uma justiça ausente e isso, meus caros, é um barril de pólvora prestes a explodir.
Porque ninguém diz ou faz absolutamente nada. Todos estão em gestão de crise, mudos e calados à espera que os tribunais daqui a 5 ou 6 anos deliberem a sua incapacidade para produzir aquilo que o desporto precisa - limpeza, ética, moral, práticas profissionais e respeito pelo equilíbrio.

Fica, mais uma vez, a minha nota de grave preocupação e profundo nojo pela podridão lamacenta que impede que o nosso desporto-rei seja um verdadeiro espetáculo, um desporto.

Saudações Leoninas.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O mercado dos 3 grandes - Parte 1

A procissão ainda vai no adro (e os padres ainda estão a dormir) mas já houve algumas movimentações no mercado dos três eternos candidatos ao título. Uns mais que outros, uns mais vendedores ou compradores que outros. A estratégia dos 3 clubes é este ano muito distinta entre si, o Sporting está a tentar acelerar processos para ter um plantel o mais definido possível atacando a pré da CL com a máxima força, o Benfica está sobretudo a compor as slots dos empréstimos no mercado interno e o Porto parece sobretudo focado em realizar o encaixe suficiente para em Janeiro não sofrer nova punição da UEFA devido às regras do Fair Play Financeiro. Vamos então às apreciações:

1/ A bold estão as entradas, dentro de parêntesis estão as dispensas prováveis

Sporting:

GR
Patrício, Beto, P.Silva (A.Jug)
DD
Piccini, (Schelotto, A.Geraldes, M.Lopes)
DE
Fábio Coentrão, (J.Silva, Marvin)
DC
Paulo Oliveira, Coates, A.Pinto, Mathieu, (Douglas, Tobias, D.Duarte, Ewerton)
MD
William, Battaglia, Palhinha, (Petrovic)
MC
Adrien, B. Fernandes, Matheus Oliveira, (Slavchev, Rosell, 
ALA
Gelson, Iuri, B. Cesar, (Matheus Pereira)
MA
A.Ruiz, F.Geraldes, (B.Ruiz, R.Gauld, Heldon)
AV
Doumbia, Dost, Dala, Podence, (Castaignos, L.Ruiz, C.Ponde)

O que falta:
1 DD + 1 DE + 1 ALA + 1 AV (salvo vendas futuras)
Quem "está" no mercado:
P.Oliveira, William Carvalho, Adrien, Iuri, A.Ruiz

Benfica:
GR
Julio Cesar, B.Varela, A.Moreira (P.Lopes)
DD
N.Semedo, A.Almeida (Patrick, Hildeberto)
DE
Eliseu, Grimaldo, (Hermes, P.Pereira) 
DC
L.Lopez, Luisão, Kalaica, Jardel, (C.Martins) 
MD
Fejsa, Samaris, (Celis)
MC
Pizzi, J.Carvalho, (A.Horta, F.Augusto, M.Chrien)
ALA
Zivkovic, Salvio, Cervi, Rafa, (C.Willock, A.Carrillo, S.Agra, O.John) 
MA
Krovinovic (J.Murillo, L.Fariña, V.Andrade)
AV
Mitroglou, Jimenez, Jonas, Seferovic, (Derlei, C.Arango)

O que falta:
1 GR + 1 MA (salvo vendas futuras)
Quem "está" no mercado:
N.Semedo, Lisandro Lopez, Samaris, Mitroglou

FC Porto:

GR
Jose Sá, Fabiano, J.Costa, (Casillas, R.Gudino, Bolat)
DD
Maxi, Ricardo Pereira, (V.Garcia, F. Fonseca)
DE
Layun, A.Telles, (Rafa S., J.Angel)
DC
Felipe, Marcano, Reyes, (Boli, M.Indi, Abdulaye)
MD
Danilo (M.Agu)
MC
Herrera, A.André, S.Oliveira, (Leandro Silva) 
ALA
Brahimi, Corona, Hernâni, (Ze Manuel) 
MA
Oliver, Otávio, (J.C.Teixeira, Josué, F.Varela) 
AV
Soares, G.Paciência, Rui Pedro, Marega, (Bueno, A.Lopez, Suk, Aboubakar)

O que falta: 
1 DC + 1 MD + 1 ALA (salvo vendas futuras)
Quem "está" no mercado: 
Layun, A.Telles, Felipe, Marcano, Reyes, Herrera, A.André, S.Oliveira, Corona, Marega

Saudações Leoninas

terça-feira, 4 de julho de 2017

"Fraude e Corrupção"...oh o escândalo!

Ontem foi dia das noviças e meninos de seminários terem acordado para o facto de alguém no desporto afirmar que existe fraude e corrupção nos movimentos de transferências de jogadores no futebol. Nunca tinham pensado nisso e até ficaram chocados com a afirmação, pois pensavam que no futebol português tudo era feito com uma lisura angelical.

Bruno de Carvalho não fez mais do que dizer aquilo que todos sabem que existe, mas porque foi o Presidente do Sporting a fazer essa enorme revelação, aqui del' Rei que tem de provar esse facto. Como se fosse preciso que alguém tivesse de provar que:

a/ Muitos presidentes e outros dirigentes de clubes recebem "luvas" por fora de empresários, prejudicando os seus próprios clubes, ou no mínimo, criando vantagem negocial ilícita nas transferências;

b/ Muitas empresas e empresários (que nada têm a ver com o futebol) participam ilegalmente em negócios de compras e vendas de jogadores, tornando-se "third party owners", estatuto proibido pela UEFA;

c/ Há falsificação de números de transferências nas declarações fiscais dos clubes e dos jogadores, que estão também reflectidas nos relatórios de Orçamento e Contas dos clubes, que por sua vez distorcem a regulação da UEFA quanto às regras do Fair Play Financeiro;

d/ Os grandes empresários canibalizam os pequenos agentes de jogadores, muitas vezes falsificando contratos de representação, fugindo a cláusulas e não respeitando quaisquer acordos verbais;

e/ Muitos empresários financiam a vida privada de jogadores, às vezes até dos seus familiares, criando uma dependência total do jogador às suas representações, materializando uma nova forma de escravatura contratual em que o jogador é claramente incapaz de romper.

f/ A luta pela representação de jovens ainda longe da idade de contratos profissionais chega ao ponto de se realizarem contratos junto dos pais com autênticos subornos e sujeições das famílias a cláusulas inválidas à luz da Constituição Portuguesa.

g/ Há problemas evidentes nas credenciais emitidas pelo fisco Português que permitem aos clubes profissionais disputar a I e II Liga. Clubes como o Vitória de Setúbal e muitos outros vivem numa eterna ruptura financeira, mas o Estado (sabe-se lá como) continua a "avalizar" comprovativos de não dívida e cumprimento da mesma...mesmo quando todos sabem que o clube não gera receitas compatíveis com esses acordos;

h/ Os contratos de cedência de passe e partilha do mesmo entre clubes em Portugal, permite quase tudo. Até que um clube contrate dezenas de jogadores sem qualquer intenção de os fazer alinhar nas suas equipas, mas sim garantir poder sobre terceiros, criando todo um novo contexto para a expressão de "tráfico de influências".

Como podem ver, é fácil em pouco mais do que 2 ou 3 minutos apontar graves problemas no mercado de transferências em Portugal e não sou eu que tenho de fazer prova alguma, eu sou adepto. Não cabe também a BdC fazer essa investigação e prova. Para isso temos polícia, temos Ministério Público, temos juízes...ou não temos? E não imaginem que há falta de indícios, pois mesmo eu que não tenho acesso a algum agente do futebol já ouvi tanta coisa, imaginem quem participa disto todos os dias.

Há indícios e bastante evidentes que tornam a frase de BdC bastante fácil de compreender e contextualizar. O que pode existir é pouca vontade de investigar e esse é o maior problema do nosso futebol: o crime anda impune.

Saudações Leoninas.


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Adrien e William. Uma história de saídas.

São dois dos melhores jogadores que o Sporting produziu nesta década e habituamo-nos tanto à sua inevitável transferência que muitas vezes nos esquecemos do que fizeram e fazem ao serviço do Sporting. Não serei hipócrita ao ponto de dizer que são indispensáveis. Pelo valor certo, todos os atletas podem ser tranferidos e estes dois óptimos jogadores não fogem a essa regra. E para quem lê este blog, não será surpresa se voltar a escrever que estão, os dois, provavelmente na hora perfeita para uma despedida.

Mas não nos enganemos. Não será fácil encontrar dois jogadores tão bem adaptados ao clube, às ideias de JJ, com a quantidade de talento que têm. No caso de serem vendidos (penso mesmo que o serão) as chuteiras que deixam vazias serão difíceis de re-ocupar e só um grande trabalho de scouting garantirá que não andemos a lamentar a sua ausência na próxima época...tal como lamentámos bastante a saída de João Mário (e não nos lembrámos tanto de Slimani porque o substituto foi devidamente encontrado em Dost).

E qual o valor certo para ambos? Costuma-se dizer que o valor certo é aquele que os clube estão dispostos a dar. Sinceramente não acho que esta seja uma boa medida para aceitar ou recusar uma proposta. Há comparações e valias próprias a respeitar, há ligações e laços afectivos a valorizar. Adrien e William não são só mais dois jogadores no mercado, são dois atletas com um passado dentro do clube e na Selecção bastante valioso, dois jogadores que não sendo perfeitos são sinónimo de regularidade exibicional. Dão garantias.

Adrien, a meu ver, aos 28 anos e como capitão estará um pouco menos valorizado, mas ainda assim a fasquia dos 30 milhões é obrigatória. Acima de tudo é um jogador com 6 épocas de grande rotação, enorme estabilidade e habituado a uma responsabilidade enorme. Quem levar este jogador sabe que está a fazer uma operação de risco reduzido e isso também tem muito valor na hora de discutir os milhões. William tem mais "mercado", com 25 anos (e até mais experiência como internacional) ocupa uma posição chave no terreno e embora tenha um estilo de jogo mais paciente e regrado é um garante táctico e muito valioso para clubes que valorizem a posse de bola. 35 milhões é para mim a bitola mínima, mas sinceramente acredito que possa mesmo chegar aos 40, especialmente depois dos seus últimos jogos na Rússia.

70 milhões mínimo pelos dois seria um cenário aceitável. Desde logo garantiria as verbas necessárias para cobrir todo o investimento já realizado e a escalada natural da massa salarial, tal como João Mário e Slimani o fizeram na temporada passada. Mas, e há sempre um mas, para que falemos de sucesso nestas operações, às saídas devem equivaler entradas que permitam não diminuir a capacidade do plantel. Alienar os bons jogadores pode ser trágico se o equilíbrio for de alguma forma quebrado e a lição da época que findou foi mesmo essa. Por melhores que tenham sido as intenções, o Sporting de 16/17 não foi tão eficiente como o de 15/16 e na mudança de jogadores alguma coisa se deve ter perdido, embora não tenha sido essa a única razão.

Veremos o que sucede nos próximos dias. Os jogadores foram dispensados da Selecção e já se encontra aberta a nova época (até nas operações financeiras das SAD's) e há todas as razões para acreditar que desta vez o "mercado" vai mesmo chamar por William e Adrien. Confio na capacidade negocial de quem chefia o Sporting e não espero surpresas negativas a este respeito, mas desejo acima de tudo que se encontrem clubes com estatuto adequado e que façam o nome do Sporting estar associado a grandes jogadores, que conseguem ainda evoluir mais e melhor, depois de sairem do clube.

A este propósito, lamento profundamente que um jogador com a qualidade de Ruben Neves, esteja encaminhado para a 2ª divisão inglesa, para um clube que ficou em 15º lugar na temporada passada. Os milhões do Mendes e as necessidades de vender não deviam criar "exilados" em jogadores tão jovens e sobretudo tão talentosos. Más notícias para o futebol, mas quem se preocupa realmente com isso? Veremos a FPF ou algum seleccionador abordar este assunto?

Saudações Leoninas