sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Agora é agarrar a sorte

Sinceramente, o Sporting não podia ter tido mais sorte no sorteio para a pré-eliminatória da LC. O Steua de Bucareste era mesmo, em teoria, o adversário mais acessível. Mas deste momento para a frente é preciso encarar o clube romeno com todo o respeito e seriedade, pois qualquer oponente tem obviamente a capacidade para discutir o acesso à fase de grupos. A alegria pelo resultado do sorteio tem de dar lugar à mobilização dos adeptos (para os jogos nas duas mãos) e sobretudo ao foco total dos jogadores.

Arrogância e descontração nunca foram bons aliados para chegar a objectivos e estar presentes na fase de grupos da Champions é um prémio demasiado valioso para embarcar em excessos de confianças prematuros. A nossa equipa e os adeptos têm de confirmar nos estádios e no relvado a sua superioridade e só então regozijar com a meta atingida. Relembro a directiva para esta época enunciada por BdC há vários meses: tolerância zero. E é isso que devemos fazer, todos. Principalmente dando tolerância zero à arrogância ou falta de apoio à equipa.

Saudações Leoninas



quinta-feira, 3 de agosto de 2017

"Gosto de dinheiro, desde pequeno"

Um jogador valer 220 milhões é qualquer coisa que faz pensar. O futebol está mesmo a mudar e os clubes a perder o controlo do mercado que criaram. Desengane-se que Neymar "escolheu" o PSG. Escolheu o dinheiro e mesmo descer os degraus competitivos que separam a Liga Francesa da Espanhola é peanuts face ao salário que ficará a ganhar. O que isto quer dizer sobre a tal "indústria" do desporto-rei? Infelizmente nada de bom e tudo de bom, conforme a visão de quem observa o fenómeno.

Se formos adeptos de um desporto totalmente liberal, onde quem tem mais dinheiro vence na maioria dos casos pois pode formar melhores equipas...a transferência de Neymar é só mais um hino à força do capital para impor a sua democraticidade condicionada. Se ao invés, formos um pouco mais conservadores e temermos a lei do mais rico, diminuindo a história e o mérito das organizações...este é um profundo sinal de alerta. Sou claramente um "desconfiado" quanto ao futebol-indústria e mais ainda quando metade das conversas sobre bola já são sobre questões financeiras.

Olho para o recém-promovido Girona, pequeno emblema catalão que após ser comprado por um grupos de investidores, tornou-se numa espécie de satélite do Manchester City (um emblema que como sabemos também é detido por capital árabe). Alguém sabe o que poderá valer este clube daqui a 2 ou 3 anos se for porto de abrigo a um imenso (e expectável) investimento externo? Poderá lutar por uma vaga europeia, por finais de Taças do Rei, algo mais até? De repente um clube de 4.000 adeptos, com um estádio com capacidade para 9.000 pessoas pode acelerar um percurso que naturalmente lhe poderia demorar uma ou mais décadas a fazer. E qual o mérito? Dinheiro.

Temo pelo tempo em que ser um grande clube signifique ter um grande investidor e que os adeptos ou as vitórias deixem de ser a razão de grandeza. Quando já nada mais interessar do que ter o financiador mais abonado, o futebol pertencerá às empresas e os clubes serão meras barrigas de aluguer. Essa será a era do futebol sem espectadores (figurantes sem expressão) e dos jogos sem paixão. Sem exemplo nas NBA e NFL ou MLB, pois estas têm profundo sentido regional ao contrário dos grandes emblemas europeus...e temo por essas comparações, como me assusta o deleite que os meios de comunicação exibem com a passagem de Neymar para o PSG. "É uma notícia marcante". Pois é, mas e que tal pensar sobre o que significa?

Saudações Leoninas.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

À sombra, escondendo os baldes

Num dia o Benfica consegue dizer (de fonte oficial que não é oficial) que não foi notificado pelo IPDJ quanto à suspensão do Estádio da Luz e no dia seguinte entregar um novo regulamento que anula o motivo de suspensão (do qual não tinha conhecimento). Ao terceiro dia é levantada a interdição, não sem antes Vieira ter afirmado que tinha a certeza que tal iria suceder.

Um caso decidido a uma velocidade tão acentuada que só pode indicar uma coisa: o Benfica tem acessos "especiais" ao desenvolvimento processual dentro do IPDJ e especial diferimento quanto às suas conclusões. Como se explicaria então que um processo guardado na gaveta durante anos, tenha levado 2 dias (!!!) a contra-argumentar e 1 dia (!!!) a aceitar o contraditório?!
Isto não é sério e não pode ficar à margem de uma averiguação interna! O IPDJ é uma entidade pública, paga com o dinheiro dos contribuintes e no mínimo carece de uma longa explicação, pública, todo este "caso das claques".

Sugiro uma leitura bastante atenta ao post do Mister do Café sobre o caso:
http://misterdocafe.blogspot.pt/2017/08/impunidade-total.html

Sinceramente já não há palavras para o grau de influência a que entidades de serviço público permitem ao clube encarnado. Só neste caso estão completamente comprometidas as acções e as regulamentações de PJ, PSP, Ministério Público, Secretaria de Estado do Desporto, IPDJ e FPF. Tudo porque as claques do Benfica não querem ser legalizadas, como todas as outras...mas querem receber os apoios, como todas as outras. Aparentemente podem fazê-lo e com o alto patrocínio de todos estes responsáveis políticos, jurídicos e policiais.

Confesso que os restantes clubes e respectivas claques até têm revelado uma enorme paciência com todos estes privilégios, mas poderá estar para breve uma posição conjunta (pelo menos das claques que não temem as retaliações do Estado Lampiânico) quiça mostrando aos responsáveis que se a lei não é para todos, não serve para nenhum. E aí quero ver se o IPDJ consegue manter-se à sombra da bananeira, enquanto esconde os baldes de merda do clube de Carnide.

Saudações Leoninas

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A cedência da lei, estimula o crime

O problema da legalização das claques é antigo e tarda em ser entendido na sua extensão verdadeira. Não é uma questão de ter ou não ter uma claque organizada, como a imprensa faz questão de nos narrar, mas sim se vamos evoluir para a institucionalização dos grupos de adeptos organizados.
É que de um lado só há vantagens e do outro há apenas a eternização de velhos problemas, como a não existência de um corpo jurídico, uma correspondência que possa ser incriminada em caso de infracções, que as há, aos molhos durante o ano desportivo.

Nenhuma claque deseja ser reconhecida como "organização" e só o aceitaram pois os clubes fizeram disso depender a continuidade de apoios, diga-se bilhetes a preços controlados, cedência de instalações e em alguns casos apoio nas deslocações aos jogos fora. Mas houve um clube que decidiu dar esses apoios em troca de zero responsabilização - o Benfica. Ao fazê-lo e nunca explicou as razões dessa tomada de posição, distorceu o equilíbrio e até a evolução das outras claques como assunção daquilo que deviam ser - grandes massas de apoio às suas equipas nos estádios.

A filosofia de banditismo e aventura criminal é um cancro que devora a reputação e legitimidade das claques de futebol. Caminhar para a extinção desta lógica é avançar para a legalização, normalização e reconhecimento legal das suas estruturas e isso devia ser o que os clubes desejariam, mas infelizmente há um clube que não parece muito preocupado com esse desenvolvimento, juntando-se neste como noutros casos ao lado mais obscuro, mais opaco, mais duvidoso da gestão desportiva. O recente "caso IPDJ" só mostra o quanto estão apostados em dissimular a verdade, em contornar leis e regulamentos, em fazer prevalecer os estatutos de irresponsabilidade, quando pelo histórico são os maiores provocadores de ocorrências graves, como o homícidio de outros adeptos.

Fica no ar uma total conivência da direcção de LFV para com a marginalidade destes "grupos de sócios" e uma forte marcha atrás no caminho da pacificação do nosso futebol. Desta vez até contaram com o Instituto Português para o Desporto e Juventude que se acobardou, preferindo ceder em vez de interceder a favor da legalidade e a favor de ambientes mais seguros nos estádios e nos acessos aos jogos. A fotografia não podia ser pior e os mesmos que deviam proteger o desporto e os adeptos foram, neste caso, os mesmos que lavaram as mãos com o sangue das próximas vítimas. Porque se tarda em respeitar os verdadeiros lesados deste embróglio...os adeptos e uma convivência do futebol num contexto de família.

Tudo porque não há coragem em cumprir a lei. Assim o crime ou a conivência com o mesmo, de certeza que compensa, pois não há outro argumento que me convença que essa é a verdadeira razão pela qual não se quer ver uma claque legalizada...a manutenção dos "braços armados" que dependem só e apenas só da carteira de quem manda no clube. É no fundo a mesma coisa que ter seguranças privados profissionais e capangas a soldo. Diz muito mais de quem os paga.

Saudações Leoninas.